Disparidade salarial entre homens e mulheres brancas e negras no mercado brasileiro – Parte I

 

Marcelino Tadeu de Assis
Autor do livro Gestão de Programas de Remuneração: Conceitos,
Aplicações e Reflexões.  Qualitymark. 2011

Na postagem anterior, motivado por uma entrevista programada por um periódico – abordei o tema disparidade salarial no Brasil, tanto na perspectiva dos gêneros masculino e feminino, como entre negros e não negros e entre o sudeste e o nordeste.  Dentro da visão apresentada, acrescentei que os dados do IBGE, provavelmente, trariam reduções progressivas de tais diferenças ao longo do tempo, uma vez que as considero ainda parte de um processo de mudança lento, gradual, contínuo e – certamente – inexorável.

Para minha surpresa, o que seria apenas uma postagem, acabou por gerar participação mais intensa de amigos e leitores em geral, algumas diretamente no blog e, uma parte comparativamente mais expressiva, para o meu email pessoal, atraindo, inclusive, grupos dedicados à reflexão sobre diversidade e redução de eventuais desigualdades.  Embora a maior parte tivesse de acordo com a leitura e a abordagem, houve quem entendesse o texto como algo que buscava justificativa para as diferenças.

É possível, em relação às diferenças salariais entre homens e mulheres, explicitar alguns dados colhidos através do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) e disponibilizados pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da USP (FIPE/USP).  Analisando-se os dados de dez/10, por exemplo, sem considerar estado da federação, faixa etária, setor, cor e escolaridade, mas apenas o gênero, observa-se um “gap” entre o salário médio de admissão de homens e mulheres, desfavorável às mulheres. 

Em posições técnicas, gerenciais e de direção, cuja formação superior predominante envolve área humana ou social aplicada, o salário médio das mulheres representa 0,85 da média masculina.  Em áreas de engenharia, tecnologia da informação, pesquisa e desenvolvimento, o padrão salarial feminino cai para 0,72.  No nível de maior interação na condução da empresa – em posições de alta-liderança, o patamar desce para 0,59

Quando isolamos, no referido estudo, dois importantes estados da região sudeste, para uma determinada posição de diretoria, o salário médio das mulheres sobe para 0,96 do salário dos diretores do sexo masculino.  Ao analisar, por outro lado, dois estados da região nordeste, no mesmo cargo, a proporção dos salários do sexo feminino cai para 0,75.

Entre os segmentos ou setores analisados, o de construção civil, com 0,66, apresenta a maior diferença entre os salários de homens e mulheres nas posições de staff analisadas, todas – lembrando – com exigência de formação superior.  A indústria aparece em segundo, apontando uma relação de 0,77.  O comércio, com 0,70 e, serviços, com 0,80, complementam o quadro estudado e auxiliam na demonstração dos “gaps”.

Por Marcelino Tadeu de Assis

2 comentários em “Disparidade salarial entre homens e mulheres brancas e negras no mercado brasileiro – Parte I

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